terça-feira, 3 de março de 2009

o grave erro de viver arrependido

Arrependimento: ação de arrepender-se, contrição, pesar, remorso. Que atire a primeira pedra quem nunca martelou repetidas vezes na própria cabeça a maldita frase "Ah, como eu queria voltar atrás!" É fato que muitas coisas que fazemos (ou deixamos de fazer) mudam completamente o percurso da nossa vida, muitas vezes de forma irreversível. Mas e se, por isso, resolvêssemos nos punir a cada erro cometido em ações tantas vezes impensadas?Às vezes as coisas simplesmente não dão certo como supomos que deveriam ter sido, e daí? A vida segue e com ela devemos seguir tentando, por vezes acertando e em tantas outras errando, mas sempre com coragem para assumir os próprios erros, dignidade para arcar com as consequências e com elas aprender. Claro que reconsiderarmos nossas ações para não voltarmos a cometer os mesmos erros, ou darmos um pedido de desculpas sincero a quem com elas afetamos (embora essa seja uma atitude custosa para as cabeças mais orgulhosas), são atitudes importantes sim, mas aprender a deixar a lamentação de lado é fundamental. A cada equívoco, tropeço ou deslize, sempre virá o amadurecimento, e cada experiência com eles adquirida será sempre valiosa.
"Se eu soubesse antes o que sei agora, erraria tudo exatamente igual" - por mais que soe clichê, faço minhas as palavras de Humberto Gessinger. Já chorei por bobagem, já comi demais por ansiedade e perdi o apetite quando estive apaixonada, fumei um maço de cigarros para tentar espantar a solidão e bebi até cair de alegria quando estive em boa companhia. Escondi o que sentia por medo de sofrer, mas senti sempre da forma mais pura e intensa. Roubei um beijo, corri no meio da rua, gritei no silêncio da madrugada, fiz loucuras e depois quis esquecer, enjaular os impulsos e jurar que nunca mais faria nada sem pensar.
Mas sempre que isso voltar a acontecer, vou acordar no outro dia, abrir a janela para receber o sol, olhar no espelho e, sem medo, enfrentar a imagem que nele refletir, com todos os erros, defeitos, imperfeições e as malditas olheiras por dormir sempre tão pouco. "Eu não quero ser o que eu não sou, eu não tenho medo de errar." E, quando o medo aparecer e eu prometer a mim mesma que nunca mais deslizo, caio ou tropeço no meio do caminho, vou sair sem rumo por aí para que, no meu caminho, eu tropece de novo muitas vezes até lembrar que o que importa mesmo é viver sem culpa, sem medo de errar.

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